Na Substância do Tempo

Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo

Data Hora
Sáb 12 Out 21:30
Público
M/6
Duração
90 min.
Info
Direção Artística: Vasco Wellenkamp;
Assistente de Direção Artística: Liliana Mendonça
Ensaiadoras: Cláudia Sampaio e Liliana Mendonça; Bailarinos Catarina Godinho, Carlos Silva, Francisco Ferreira, Maria Mira, Miguel Santos, Pedro Garcia, Ricardo Henriques, Rita Baptista, Rita Carpinteiro; Bailarina Estagiária Íris Runa;
Bailarinos Convidados: Miguel Ramalho, Patrícia Henriques, Patrícia Main;
Direção de Produção: Cláudia Sampaio;
Gestão e Administração Bernardo Beja;
Marketing e Comunicação Rita Carpinteiro;
Direção Técnica: Ricardo Campos
Direção de Cena: Cláudia Sampaio

Na Substância do Tempo

Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo

HOMENAGEM A SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Na obra que criei em conjunto com Miguel Ramalho, inspirado na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen comecei por incutir no processo criativo o sentimento que a sua poesia me instiga, incitando os bailarinos a espantarem-se e a deixar que a sensação vivida no interior das nossas condições ontológicas irradie imagens em movimento que, entretecidas com as leis da gravitação interna dos passos de dança, surjam como substância transfigurada. E, sendo cada passo a sequência lenta ou acelerada do passo anterior, é no encadeamento de todos eles que a obra se edifica, se amplia e ganha vida própria. Esse é o momento em que a técnica de dança, estando lá, se dilui na maquinaria do corpo e na força dos músculos para dar passagem à emoção inicialmente incutida.

Aqui, é o momento em que o discurso coreográfico se assume como metáfora. Imaginemos a figura frágil que baila em redor da suspensão; um grupo de gente angustiada e cingida dentro de um feixe mínimo de luz; o vôo que atravessa o espaço com o ímpeto de um salto; o personagem que desliza até ao chão por uma rampa imaginária; aquele que abraça para falar de amor, ou que, num gesto de abandono e desalento, se deixa simplesmente cair.

Saint-Exupéry disse, um dia, dos homens, “(…) Só são homens aqueles que o cântico ou o poema ou a oração alindaram, aqueles que se acham construídos no interior (…)”. Foi por aqui que caminhámos ao coreografar esta obra: viver no interior das nossas condições de artistas o eco da poesia de Sophia, e deixar que ela se construa e alinde no mundo visível dos corpos que dançam.

Vasco Wellenkamp